Apple e Google testemunham contra o Projeto de Lei C-22 do Canadá, alertando que um ‘backdoor’ de criptografia poderia levar a ataques semelhantes ao Salt Typhoon

Executivos da Apple e do Google compareceram na terça-feira ao comitê de segurança pública da Câmara dos Comuns do Canadá para se opor ao Projeto de Lei C-22, a legislação governamental sobre acesso legal, que já passou por duas das três votações na Câmara. Erik Neuenchwander, diretor sênior de privacidade e segurança infantil da Apple, afirmou ao comitê que “não conhecemos nenhuma forma de implementar tecnologia de criptografia que permita o acesso apenas às autoridades legítimas sem criar novas brechas para criminosos”, citando o ataque cibernético Salt Typhoon em 2024 — que explorou pontos de acesso criados sob um quadro legal similar nos EUA — como exemplo de risco. “Essa lei era mais restrita que o Projeto de Lei C-22”, disse ele. Já Katherine Charlet, diretora sênior de privacidade, segurança e proteção da Google, alertou que os poderes potencialmente “ilimitados” previstos no projeto têm implicações globais, já que os canadenses interagem com pessoas de todo o mundo. Ambas as empresas defenderam a inclusão explícita de salvaguardas para a criptografia no texto do projeto, em vez de deixar essa definição para regulamentações futuras.

Essa audiência intensifica a pressão crescente sobre o ministro da Segurança Pública, Gary Anandasangaree, que “rejeitou categoricamente” as acusações de que o projeto prevê portas dos fundos, argumentando que as empresas interpretaram mal sua intenção. Agora, entre os opositores estão o Signal, que declarou que deixará o mercado canadense antes de cumprir as exigências; diversos provedores de VPN ameaçando mudar suas operações; e a Câmara de Comércio do Canadá, que advertiu que o projeto poderia desestimular investimentos em tecnologia. Em maio, os comitês de Justiça e Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA também enviaram uma carta conjunta alertando sobre riscos à segurança transfronteiriça. O deputado conservador Frank Caputo, responsável pela área de segurança pública em seu partido, afirmou que buscarão incluir emendas específicas para proteger a criptografia antes que o projeto avance ao Senado.

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