Um grupo de 76 especialistas em segurança cibernética publicou, em 15 de junho, uma carta aberta no freefable.org, exigindo que a Casa Branca revogue a ordem de controle de exportação contra os modelos Fable e Mythos da Anthropic. A carta afirma que a proibição “tirou os melhores modelos das mãos dos defensores”, impedindo-os de usar essas ferramentas para encontrar vulnerabilidades e reforçar a segurança de softwares e produtos; “retirar a capacidade mais forte dos defensores sem justificativa suficiente, enquanto os adversários avançam rapidamente, é perigoso”. Entre os signatários estão o ex-chefe de segurança do Facebook Alex Stamos, o fundador da plataforma de testes colaborativos Bugcrowd Casey Ellis, o renomado criptógrafo Jon Callas, o cientista da computação Paul Vixie, o ex-chefe de engenharia de segurança de aplicativos do Block Dino Dai Zovi, a fundadora da Luta Security Katie Moussouris e a CEO da SocialProof Security Rachel Tobac, entre outros.
A principal controvérsia da carta aberta gira em torno da base probatória da proibição — um artigo não publicado, escrito por pesquisadores da Amazon, que supostamente demonstra um método de contornar as salvaguardas do Fable. Em seu blog, Moussouris aponta que o artigo não demonstrava um verdadeiro jailbreak: após o modelo se recusar a analisar problemas de segurança, os pesquisadores pediram apenas que ele corrigisse um código aberto contendo vulnerabilidades públicas conhecidas — “isso é o ciclo descobrir-corrigir-testar que os defensores executam todos os dias, é a coisa mais valiosa que um modelo de IA pode fazer pela defesa cibernética, não um bypass de salvaguardas”. A carta aberta também cita análises mostrando que o suposto método de contorno funciona igualmente no OpenAI GPT-5.5, no Claude Opus 4.8 e Sonnet (modelos publicamente disponíveis da Anthropic), e até no modelo chinês Kimi 2.7, e pede que o governo estabeleça regras de controle de exportação baseadas em pesquisa científica, por meio de “um processo legislativo democrático”, limitando-as ao mínimo necessário para proteger a segurança pública.