De acordo com o New York Times de 1.º de junho, a empresa chinesa de tecnologia Geedge Networks está desenvolvendo, com o apoio de seu instituto de pesquisa patrocinado pelo governo, o Mesa Lab, uma ferramenta de previsão de riscos políticos baseada em IA. Diferentemente das tecnologias de vigilância tradicionais, que apenas rastreiam dissidentes conhecidos, o sistema visa criar perfis individuais para cidadãos comuns por meio da coleta e análise de dados de localização e comportamento online, identificando proativamente possíveis alvos que “poderiam” criticar o governo — ou seja, marcando-os como objetos de risco antes mesmo de tomarem qualquer ação pública. As informações provêm de documentos internos vazados da Geedge Networks, revisados por pesquisadores da Universidade Vanderbilt, e o sistema ainda está em fase de desenvolvimento. A Geedge Networks é a principal fornecedora de versões comerciais de exportação do Firewall Chinês, oferecendo infraestrutura de vigilância e filtragem de conteúdo a governos autoritários. Brett Goldstein, diretor do “Laboratório de Problemas Espinhosos” da Universidade Vanderbilt, comentou: “É o que acontece quando a vigilância em massa encontra a inteligência artificial.”
A equipe de pesquisa aponta que os pesquisadores da Geedge Networks “não estão apenas registrando padrões de comportamento, mas tentando prever o que os cidadãos farão em seguida e com quem agirão” — transformando enormes quantidades de dados comportamentais comuns em matéria-prima para inferir futuras inclinações políticas individuais. Vale notar que as restrições de exportação de chips de IA impostas pelos EUA são consideradas um obstáculo significativo ao progresso da pesquisa da Geedge Networks, com a reportagem sugerindo que tais medidas podem ter, até certo ponto, desacelerado o desenvolvimento das novas tecnologias de vigilância chinesas. Paralelamente, um relatório independente recente do Instituto Australiano de Política Estratégica (ASPI) documenta uma atualização significativa, nos últimos dois anos, das ferramentas de IA utilizadas pelo governo chinês para “censura automatizada, vigilância intensificada e repressão preventiva de dissidências”, com sistemas capazes de prever protestos públicos e monitorar o estado emocional de detentos.