O senador dos EUA Bernie Sanders (independente de Vermont) apresentou formalmente, em 18 de junho, a Lei do Fundo Soberano de IA Americano (American AI Sovereign Wealth Fund Act), que propõe a cobrança única de um imposto sobre ações equivalente a 50% do capital social de grandes empresas de IA com receita anual superior a 200 milhões de dólares. As ações assim recolhidas seriam injetadas em um fundo soberano administrado pelo governo federal. Sanders estima que, com base nas avaliações atuais, o fundo teria cerca de 7 trilhões de dólares; o fundo seria obrigado a distribuir anualmente 5% de dividendos a todos os cidadãos americanos, o que equivaleria a mais de 1.000 dólares em dinheiro por pessoa por ano. O fundo seria gerido por um comitê independente de sete membros, nomeados pelo presidente e confirmados pelo Senado, que poderia usar seu poder de voto para se opor a práticas empresariais consideradas prejudiciais aos interesses do cidadão americano comum. Em entrevista à imprensa, Sanders afirmou: “A IA é construída sobre a base do conhecimento humano, sobre livros, canções, obras de arte, notícias, códigos de computador e pesquisas científicas criados por milhões de pessoas — conquistas que, em grande parte, já foram roubadas por algumas das pessoas mais ricas do mundo.”
O projeto repercute em um espectro bipartidário, mas está entre as propostas mais radicais já apresentadas pela magnitude do plano. O CEO da OpenAI, Sam Altman, já havia defendido a criação de um veículo de riqueza soberana que distribuísse amplamente os benefícios da IA à população; o CEO da Anthropic, Dario Amodei, também manifestou abertura a arranjos semelhantes; e Donald Trump já falou publicamente sobre a ideia de o governo deter participação em empresas de IA. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, também teria demonstrado apoio à via do fundo soberano, enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, inclina-se a usar ações de empresas de IA para financiar políticas relacionadas a Trump. Sanders, porém, distancia-se dessas ideias mais moderadas ao enfatizar que sua proposta é uma “reorganização compulsória da propriedade”, e não uma cooperação voluntária. Analistas apontam que as chances de aprovação do projeto no atual cenário do Congresso são extremamente baixas, mas que ele marca a entrada formal da questão da distribuição da riqueza gerada pela IA na pauta legislativa do Congresso, saindo do âmbito exclusivamente acadêmico.