Apple MacBook Neo vendeu 1,1 milhão de unidades no trimestre de estreia, apesar de apenas três semanas à venda, e estabelece recorde de novos compradores de Mac

O MacBook Neo da Apple está conquistando uma nova geração de compradores — e uma parte significativa já está no mercado há apenas um trimestre, de acordo com estimativas divulgadas na terça-feira pela IDC. A empresa de pesquisa projeta que a Apple vendeu aproximadamente 300 mil unidades do Neo durante o trimestre de março, o período em que o laptop foi lançado. A maior parte dessas vendas ocorreu em apenas algumas semanas. A Apple registrou embarques de 287 mil unidades no trimestre de março, segundo dados preliminares coletados pela IDC com parceiros de canal. A associação comercial CTA (Consumer Technology Association) estimou na semana passada vendas de 264 mil unidades, número inferior ao da IDC em parte porque a CTA inclui apenas canais de varejo nos EUA.

As novas projeções surgem depois que a Apple informou que o Neo — seu laptop de US$ 599 — era o Mac mais vendido nos Estados Unidos durante o último mês do trimestre de março, uma conquista notável para um produto com estoque limitado e que chegou às lojas em meados de fevereiro. A IDC estima que a Apple tenha enviado cerca de 135 mil Neo para clientes nos EUA no trimestre de março, número que deve aumentar substancialmente no segundo trimestre, à medida que as restrições de oferta são resolvidas. As remessas para a Índia foram igualmente robustas: a IDC contabilizou aproximadamente 18 mil unidades, apesar do produto ter ficado disponível por apenas algumas semanas. O Neo atraiu particularmente compradores de baixa renda e estudantes universitários que antes consideravam o MacBook Air caro demais, afirmaram analistas. Dados da IDC sugerem que mais de 60% dos compradores do Neo são novos na plataforma Mac — proporção superior à de qualquer outro Mac da Apple.

O Neo é o primeiro laptop da Apple a cruzar consistentemente a marca de US$ 599, preenchendo uma lacuna que há muito tempo críticos apontavam no portfólio da empresa. O produto foi desenvolvido ao longo de três anos sob o codinome “Neo”, parte de um esforço da Apple para rejuvenescer sua linha Mac, que enfrentava declínio nas vendas. O presidente da CTA, Gary Shapiro, disse que o Neo representa uma ameaça competitiva direta ao Chromebook, que há muito domina o segmento abaixo de US$ 600. Pesquisas da CTA indicam que 34% dos compradores do Neo consideraram seriamente um Chromebook antes de optar pelo modelo da Apple. A participação da Apple no mercado de notebooks abaixo de US$ 600 passou de aproximadamente 2% para mais de 10% nos três meses desde o lançamento do Neo, de acordo com dados da CTA. Os Chromebooks, que detinham 48% do mercado antes do Neo, caíram para 35%.

O colunista de tecnologia do New York Times, Brian X. Chen, escreveu que o Neo “pode ser o laptop mais importante que a Apple já lançou” e que “não é apenas um bom laptop de US$ 599; é um bom laptop, ponto final”. A crescente participação de mercado do Neo acontece em um momento em que o mercado geral de PCs se recupera de uma recessão de dois anos. As vendas globais de PCs cresceram 4,6% no trimestre de março, de acordo com a IDC. A participação da Apple no mercado geral de PCs subiu para 12,5%, ante 10,2% no ano anterior, impulsionada pelo Neo. A margem de lucro do Neo é menor do que a de outros Macs — analistas a estimam em aproximadamente 25%, contra cerca de 35% do MacBook Air —, mas o volume e a base de clientes que ele está gerando são considerados compensações estratégicas.

A Apple se recusou a comentar as estimativas de vendas de terceiros, mas confirmou que planeja aumentar a produção do Neo em 40% no trimestre atual. A versão de 14 polegadas e a variante Pro do Neo, com melhorias de desempenho e conectividade 5G, devem chegar no outono, segundo fontes familiarizadas com os planos da empresa. O CEO da Apple, Tim Cook, disse em teleconferência de resultados em abril que a resposta dos clientes foi “extraordinária” e que a Apple registrou um recorde no trimestre de março em número de novos clientes Mac, impulsionado em parte pelo Neo.

O MacBook Neo mantém um chassi de alumínio e tela Liquid Retina de 13 polegadas, alcançando o preço de US$ 599 com o uso de um chip A18 Pro em vez de um processador da série M e uma configuração de memória base de 8 GB. O diretor associado da Counterpoint Research, David Naranjo, disse que o laptop pode eventualmente elevar a participação da Apple no segmento de notebooks de US$ 400 a US$ 699 de cerca de 2% para aproximadamente 15%, e o descreveu como “um dos lançamentos de Mac mais estrategicamente importantes da Apple recentemente”, especialmente em meio ao aumento dos custos de memória e à “redução inflacionária” no mercado de PCs. A tração do Neo já provocou respostas competitivas: a Dell revelou esta semana um novo XPS 13 a partir de US$ 699, citando explicitamente a demanda pelo MacBook Neo como evidência de forte apetite por laptops premium acessíveis. A IDC prevê um “pico muito grande” nos embarques do Neo no trimestre atual, à medida que a Apple resolve suas restrições de oferta e expande a disponibilidade.

TechCrunch